
Mãe-Lúcia (vó)
Por: Naza Mesquita
28/05/2007
Mãe,
que não colocou no mundo,
mas colocou um sentido
no mundo vazio
do coração repleto de nêuras;
mãe,
que não me esperou até as cinco,
mas deixou o cuidado acordado
esperando a minha volta;
mãe,
que sempre deu-me o colo
do seu sorriso aurora boreal,
secou tristezas
com suas poucas palavras,
de sotaque interiorano;
afagando-me a desilusão
que sentou ao seu lado
em sua poltroninha;
onde o seu cheiro
ainda me parte
e atira na areia movediça
da saudade que não passa;
da saudade que faz rir
com a lembrança,
faz chorar com a vontade
que ainda tenho de tocá-la;
mãe,
que alimentou-me a fome
do não sei o que...
a euforia que roeu-me o estômago
da presa que correu atrás da felicidade;
mãe,
que não disse nada,
sempre disse tudo com o silêncio
dos seus olhos risonhos e atentos
ao que se quer minha'lma conseguiu notar;
mãe-vó...
mãe-Lúcia...
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